O Canadá está se consolidando como o centro da ecossistema de inteligência artificial no mundo. A união entre o Governo, as universidades, empreendedores e investidores tem resultado em um plano que aumenta o volume de investimento no setor e atrai os profissionais da inteligência artificial. Não é à toa que as empresas de IA situadas no Canadá receberam investimento recorde em 2017 e reúnem a maior concentração mundial de pesquisadores da área, colocando o país na liderança do desenvolvimento de tecnologias como deep learning, machine learning, redes neurais e natural language processing (Fonte: Proxxima).

No mês de abril, a aceleradora Techstars mostrou as 10 startups selecionadas em Toronto para sua turma de 2018. São negócios que estão rompendo barreiras em integração de dados, identificação digital, machine learning, e inteligência cognitiva – e muitas possuem a inteligência artificial como seu núcleo de negócios.

Flow.ai, uma startup que veio da Holanda, mas possui sede em Toronto, é uma das selecionadas e se autodenomina como o “Photoshop de assistentes de voz”. Sua plataforma permite a utilização de diversos modelos de conversação e adaptação de chatbots. Lançada há oito meses, a startup já possui 4 mil usuários, um crescimento de 19% e clientes grandes como a Samsung. Ela segue o caminho aberto pela Integrate.ai, uma empresa voltada para construir soluções de inteligência artificial que elevem a qualidade das interações entre os consumidores e as organizações.

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A Elmy, que está construindo um marketplace para o setor de beleza, também foi uma das selecionadas. (Fonte: ItWorld Canada)

 

A inteligência artificial chega aos setores tradicionais

Corporações dos setores tradicionais também estão dando largos passos em direção ao futuro com a inteligência artificial. Em parceria com a Finn.ai e a Massively, o Banco de Montreal (BMO) lançou seus chatbots que atendem em redes sociais, como o Facebook Messenger e Twitter, para evoluir seu alcance digital e estar mais presente no cotidiano dos consumidores. Eles ainda não realizarão transações bancárias, porém responderão perguntas como dúvidas frequentes, saldo da conta e adquirirão novos modelos de perguntas e respostas pela aprendizagem ao longo do tempo.

O avanço dessas grandes corporações adotando tecnologias inteligentes reforça o ecossistema no corredor canadense, aumentando a necessidade de profissionais e de empreendimentos. Os grandes fundos de empréstimo canadenses (conhecidos como The Big Five Canadian lenders) têm investido cada vez mais na tecnologia cognitiva para estarem a frente de seus concorrentes – quase uma corrida tecnológica. O Banco de Montreal aumentou seu budget de tecnologia em 13% no ano passado – e pretende dobrar esse valor nos próximos anos.

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O Bank of Montreal (BMO) pretende desenvolver seus chatbots e sua utilização da inteligência artificial. (Fonte: Mobilesyrup)

 

Quais são os três maiores desafios para inteligência artificial?

A VP of Product & Strategy da Integrate.ai, Kathryn Hume, disse que a inteligência artificial tem um longo caminho de crescimento pela frente, mas que isso só terá uma evolução rápida quando os consumidores e investidores entenderem o que a IA é e o que ela não é.

Segundo a VP, os bots são “exemplos magníficos de inteligência sem compreensão, mostrando o que parece ser um comportamento inteligente, mas são puros processos de otimização estabelecidos em limites e restrições claras” (tradução livre).

Além disso, em artigo para o Invest In Ontario, Hume deu alguns caminhos para que as máquinas consigam se desenvolver melhor entre os consumidores humanos:

 

Sejam mais humanas

Nós, humanos, temos dificuldade de aceitar decisões tomadas puramente por máquinas porque queremos e precisamos entender o porquê das coisas. Por isso, alguns sistemas de machine learning – em especial, deep learning – podem trazer desconfiança por explicarem mal como suas decisões são tomadas. Afinal, não são todos os consumidores que entenderão as linhas de código que uma máquina lê para tomar uma ação. Para a VP, os designers de robótica precisam fazer os bots parecerem menos espertos, para que as pessoas “acreditem” que estão falando com algo que pensa como um humano, e não como uma máquina mais inteligente que eles mesmos.

 

Tratem todos igualmente

A inteligência cognitiva utiliza “vectors” para aprender informações sobre conjuntos de dados, relacionando duas palavras para criar significados, pixels alinhados para criar imagens, etc. Esse processo, porém, pode propagar estereótipos ao relacionar dados que contenham traços estereotipados. Os sistemas de IA são geradores excelentes de padrões e similaridades, mas isso pode trazer algumas consequências indesejadas. Evitar que esses padrões sejam relacionados – e perpetuados – é um dos desafios dos desenvolvedores que precisa ser dilucidado.

 

Deem privacidade

Com os recentes casos de exploração de privacidade, vide caso Cambridge-Facebook, as pessoas estão preocupadas sobre como seus dados são armazenados e utilizados. Hume acredita que devem haver princípios para que o uso da inteligência artificial e dos dados adquiridos sejam justos e explorem o potencial do machine learning sem trazer um sentimento ruim de falta de privacidade aos consumidores.

 

“Inovação e tecnologia unidas são uma força criativa (…) que pode trazer significados da mesma forma que a arte faz (até hoje). Deveríamos explorar isso”. Kathryn Hume, tradução livre.

 

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Os pesquisadores de IA não acreditam que haverá um “takeover” dos robôs no futuro, mas acreditam que irá moldar o cotidiano de formas mais discretas. (Fonte: Invest In Ontario. Foto: Entrepreneur.com)

 

Apesar de ainda estar longe do futuro previsto por filmes, aos poucos os robôs estão fazendo parte de áreas em que antes não se via espaço. Toronto, junto aos ecossistemas de Waterloo, Montreal e Vancouver, já possuem a reputação de serem fortes no desenvolvimento de tecnologias avançadas – especialmente as evoluções no campo da inteligência artificial. Um dos co-fundadores da Flow.ai, Murat Ozmerd, disse que a cidade está de braços abertos para receber e ajudar a evoluir os talentos de IA que estão na cidade, o que é bom tanto para profissionais que querem crescer na área quanto startups que encontram esses talentos com maior facilidade – e também mais baratos – do que no disputado Vale do Silício. Os avanços no Startup Visa também mostram como o governo canadense quer trazer inovações para seu território, evoluindo o ecossistema tecnológico da cidade.

 

Te levamos a Toronto este ano!

A Missão Toronto 2018 estará em proximidade grande com as evoluções tecnológicas ocorrendo no Canadá, já que a turma irá participar do Elevate Techfest, um dos maiores eventos de tecnologia de Toronto.

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