Quem nasce e é criado no Brasil ouve falar bastante de “você tem que lutar pelos seus direitos”, “você tem que ir atrás”, “faz barraco, senão não vai dar certo” e assim por diante. Bem, eu nunca fui de fazer barraco, mas os últimos anos somados à advocacia me fizeram “criar marra” para realmente falar e me impor quando eu presenciar algo de errado.

Lembro bem quando estava na época da faculdade e um certo botequim cobrou entrada diferenciada para homens e mulheres (nítida discriminação com base no gênero). E quando uma barraca de praia cobrou consumação mínima para quem desejasse ficar nas tendas da areia (venda casada explícita!). E assim vai. Em todas essas situações, lutei pelos meus direitos e reverti o cenário. Morando no Brasil, minha guarda estava alta. Estava sempre atento e esperando a próxima vez em que iriam violar meus direitos ou das pessoas próximas a mim.

Há um bom tempo isso deixou de ser realidade para mim. Viver em um país no qual as relações públicas e privadas têm, todas, um elemento central, a honestidade, fez que eu voltasse a nutrir um sentimento (quase) inexistente no cenário brasileiro: a confiança. E, da minha experiência, quando existe confiança entre colegas de trabalho, entre empresa e estado e entre cidadão e estado, abre-se um caminho limpo para resultados de alta performance e qualidade de vida.

Para contar um pouco da realidade que vivo, ilustro com uma situação que ocorreu comigo: faço bastantes pedidos pela internet e a entrega à domicílio no Canadá é feita na porta da sua casa, independentemente de ter gente para recepcionar. Como passo o dia fora, todas as entregas, inclusive de produtos de alto valor, foram deixadas no chão da minha porta da frente. Você já deve estar pensando “meu Deus, e ninguém pegou?”. Se você levantar essa dúvida para um canadense, você irá bugar o cérebro dele, de tão fora do normal que esse caso seria. Acredite…

Algo bastante nítido, também, é a proatividade dos órgãos públicos no âmbito dos negócios e em questões sociais. Se você pensa em empreender em Toronto, vá com a certeza de que o City Hall (prefeitura) irá mover toda a sua rede de contatos para que seu negócio seja bem sucedido. Sobre as questões sociais, há um forte trabalho de prevenção, sem precisar que haja greve geral, paralisação de serviços públicos essenciais, gerando prejuízos à classe trabalhadora e empregadora.

Tudo isso me possibilita viver no Canadá de forma mais tranquila, focado em tocar meus projetos pessoais e profissionais e com a certeza de que a cidade está ao meu favor, e não contra mim. Sim, é esse o sentimento que tenho no Brasil: de que setores público e privado querem se aniquilar a todo momento. É uma relação hostil, desgastante, estressante.

Há 1 mês voltei ao Brasil para promover a Next Level e a Missão Toronto. E o Brasil me pegou despreparado. Deparei-me com o mesmo desrespeito ao cidadão, ao consumidor. Porém, dessa vez, estava lidando de forma diferente: passivamente. Os canadenses se dizem como um povo cool, ou seja, de bem com a vida. Mas eles podem se dar esse luxo. A cultura do país permite, concorda? Nós, brasileiros, podemos?

Em 30 dias, já vivi, pelo menos, quatro situações de total desrespeito a mim enquanto consumidor. Apenas na última eu percebi que estava me comportando de forma passiva, me abstendo de reivindicar meus direitos, como antes fazia. Levantei minha guarda e estou, novamente, possesso daquele mesmo sentimento de preocupação, medo, atenção, desconfiança.

Não percebia como isso era cansativo. E você, que está lendo esse meu desabafo, deve sentir isso na pele todos os dias, certo? Até quando você vai querer viver isso? O quanto isso está sendo um empecilho para seu negócio? Para sua família? Te convido a ter o mesmo gostinho que venho tendo no Canadá. Estamos organizando um time de 10 empreendedores que irão vivenciar a cultura de negócios de Toronto, de 11 a 15 de setembro. Participe da Missão Toronto e dê o play no seu Plano Canadá! Saiba mais detalhes.

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